Capítulo 1 - O Herdeiro

segunda-feira, 8 de setembro de 2008


Existem muitos lugares decididamente estranhos. Podem variar, é claro, talvez uma pintura diferente, mas são sempre estranhos. É o tipo de lugar em quê você nunca sabe o quê há atrás daquela porta de madeira pesada, ou porque o tapete arrombou a janela e tentou se suicidar. Lugares Mágicos.

Poucos lugares, porém, são mais estranhos que a Mansão Potter. Pra começar sua pintura de estranheza, a Mansão enorme está ali há pelo menos mil anos. Depois, há o fato que ao lugar é cercado por um labirinto de sebes muito verdes, e que ninguém que não é bem-vindo consegue chegar ao centro do labirinto, onde reside a mansão, os jardins, o campo de Quadribol e o galpão de ferramentas, onde em algumas gerações, algum membro da família executava um feitiço errado e o pobre galpãozinho ia pelos ares.

A Mansão Potter sempre contou com sua larga e dourada porta de folha dupla, e com sua fachada pintada de um vermelho bonito, que não doeria os olhos. Nos últimos mil anos, as paredes sempre receberam uma nova camada de tinta por algum Potter de quinze anos. A escada dourada, a cozinha, a sala de jantar, os quartos e os outros diversos cômodos foram tratados com esmero pelos elfos-domésticos, normalmente livres e ganhando um galeão por mês.

Assim a Mansão sobreviveu à guerras, invasões, explosões, fogueiras e filhos endiabrados. Nos últimos duzentos anos, nada de agitado havia acontecido em seu terreno. Até que num adocicado nascer de ano, nasceu o Potter de nome Tiago. Seus pais, Ulisses Potter e Amanda Potter ficaram realmente deliciados e surpresos com sua vinda.

De idade já avançada, o casal Potter já havia perdido as esperanças de um filho. Porém, Tiago nasceu ao mesmo tempo em que sua mãe tivera que usar todas as suas forças para pô-lo ao mundo, o quê ocasionou a triste perda de sua fertilidade remanescente. Tiago era o primeiro e último filho do casal.

Tudo começou na virada do ano, como os Potter bem se lembravam. E era assustadora a certeza que todos os problemas e soluções deram-se início naquele instante.

O choro alto e arfante da vida que nasce encheu a Mansão, e chegou até a biblioteca, onde um homem alto, forte e de cabelos muito negros e muito despenteados andava de um lado para o outro.

Ulisses, meu velho, você vai abrir um buraco no tapete! – Reclamou o segundo homem, que se recostava na poltrona vermelha, defronte à lareira. Neve caia lá fora, e os dois vestiam-se com grossos casacos.

– É a minha mulher e meu filho, Jacob! – Rosnou o moreno. – Se você não fosse um solteirão estúpido, saberia como isso é importante!

– Calma, calma, meu velho! – Riu-se Jacob. – Não está ouvindo estes gritos? O seu bebezinho já está entre nós, e com fome!

Ulisses parou de rodar de um lado para o outro tão rapidamente que tropeçou no tapete e quase caiu no chão de madeira polida. Jacob suspirou, agarrou o amigo pelos ombros e o sentou, bruscamente, numa das poltronas.

– Agora fique calmo! Amanda não precisa de um covarde psicótico!

Ulisses ia realmente se levantar e brigar com o outro, quando a porta da biblioteca se abriu e Hannah McKinnon entrou, com um avental coberto de sangue nas mãos.

– Ulisses, Jacob! Façam o maldito favor de ficarem quietos! – Ela não gritou, mas seu tom foi o suficiente para que os dois se calassem. – Agora, Ulisses, me acompanhe.

Os dois foram rapidamente até o quarto onde Amanda estivera gritando nas últimas horas e entraram. A mulher carregava nos braços uma pequena trouxa, nada mais que uma toalha branquinha envolvendo algo pequeno. Uma mãozinha rosada escapou da toalha ao mesmo tempo em que uma lágrima escapava dos olhos castanhos de Ulisses Potter.

***

Quase onze anos se passaram desde a noite do primeiro dia do ano, e nesse meio tempo a Mansão Potter não mudou, aparentemente. É claro que agora o console da lareira estava recheado de fotos em que seu protagonista se movia. Um garoto de olhos castanhos com um toque de esverdeado, como avelãs, cabelos negros como a noite e muito despenteados e um sorriso maroto. Tiago Potter crescera, e tivera o quê pode se chamar de “infância saudável”. Ele fizera milhares de loucuras e arranjara milhões de confusões, mas ainda faltava algo, afinal.

– Cinco... Quatro... Três... – Murmurava o garoto. – Dois... Um...

BAM!

– CHEGOOOOU! CHEGOOOU! – O berro de alegria precedeu e acompanhou a espetacular descida de Tiago, pulando de três em três degraus escada abaixo. Ele abriu a porta da cozinha num rompante, e viu os cabelos negros com mechas grisalhas do pai. Logo que ele chegou, sua mãe se levantou da mesa e o abraçou.

– Chegou? – Riu Amanda, morena, alta e risonha. A pergunta, visto os gritos enlouquecidos do garoto, era totalmente desnecessária.

– Siiiim! Siiiiiiiiiiiiiiiim! – Os risos, gritos e aplausos encheram a cozinha naquela noite. Tiago estendeu o pergaminho amarelado e sorriu vivamente enquanto os pais liam seu convite de ingresso na Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts.

Sim, pois Tiago, Ulisses, Amanda e outros tantos no mundo, eram bruxos. E aos onze anos, Tiago Potter freqüentaria a melhor escola de magia, Hogwarts. Ali ele esperava uma vida que ele não tivera até agora. Queria grandes amigos, grandes aventuras e fantásticas descobertas.

Com um sorriso no rosto, seus pais entregaram-lhe seu presente de aniversário, e ele quase gritou novamente ao ver um belíssimo Pomo de Ouro saltar do pequeno embrulho e o rodear. Com facilidade, Tiago o agarrou, e ficou olhando admirado para a bolinha do tamanho de uma noz.
Ao fim da noite, Tiago foi chamado pelo pai até a Biblioteca da Mansão.

– Filho, você cresceu muito nestes anos – Sorriu o pai, soltando uma baforada do cachimbo que Amanda detestava. – E agora você já é um bruxo. Por isso está pronto para o quê eu vou te contar.

As próximas palavras do pai foram como tiros em sua mente. Ficariam marcadas como tatuagens feitas de fogo em seu cérebro, e ele nunca esqueceria quando o pai lhe mandara revelar o quadro mais antigo dos Potter, que ficava escondido atrás de uma cortina encantada.

Tiago desabou numa cadeira quando as próximas revelações, e explicações, vieram. Sentiu algo doloroso em seu coração. Viu quanta coisa desconhecia, viu quantos problemas e confusões aquilo lhe traria.

– Mas acima de tudo, Tiago... – Suspirou Ulisses, dando a última tragada no cachimbo fedorento. – ...Isso não é um motivo de arrogância. E nem ao menos é um destino, afinal meus tios eram da Lufa-Lufa. Apenas entenda o quê isso significa.

Ele tirou algo do bolso e lhe entregou. Tiago o revirou nas mãos geladas, e sentiu aquilo lhe aquecer.

– Proteja-o, Tiago. Afinal de contas, você agora é o Herdeiro.

– Mas, mas... Não sei o quê fazer! Eu achei que eles já tinham morrido há muito, muito tempo! – Desesperou-se o jovem bruxo.

– Há muita coisa nesse mundo que você desconhece, Tiago. Isso é apenas uma delas. Quanto a o quê você fará... Você saberá como se virar. Apenas tome cuidado para que isso não lhe impeça de viver. É um fardo, ser o Herdeiro, mas nada que nós, Potters, não possamos lidar.

O pai então se dirigiu até a mais afastada prateleira, quase coberta pela escuridão, e trouxe um livro negro, com uma grande fivela de prata impedindo que fosse aberto.

– Mantenha o Registro sempre em dia. Nunca se esqueça da importância disso, como eu te disse. E quando você for o último Potter e precisar de ajuda, não tenha receio em abrir os Registros anteriores.

O cachimbo se apagou, e Ulisses saiu. Tiago abriu o livro e viu que todas as páginas estavam em branco. Olhou a prateleira, e viu o primeiro e mais grosso dos livros. O mais antigo, misterioso, proibido e problemático.

Mantenha o Registro, não deixe que isso lhe suba à cabeça e não conte pra ninguém.

Palavras agourentas.

Mas você vai conseguir, você é o Herdeiro.

Tiago suspirou alto e recolheu suas coisas. Saiu da Biblioteca, e parou na porta, olhando para as velas que lentamente se apagavam sozinhas. Sentiu toda a felicidade que a carta trouxera sumir.

Por fim, bateu a porta e foi para a cama.

O Herdeiro

0 - Prólogo

sábado, 30 de agosto de 2008

O silêncio é pior que qualquer coisa.
Passar tanto tempo no silêncio é quase angustiante. Você sente seu peito se comprimir e todos os seus medos se afloram, tomam forma e gosto e cheiro e sentimento. A loucura vêm no silêncio, sussurrante, minúscula, deslizando como uma cobra.
E então, quando você menos espera, a loucura já te dominou, já te dobrou e te transformou em um mero fantoche.
A loucura é companheira do silêncio, amante, dona, mãe. Sinto o silêncio louco e a loucura silenciosa correndo por meus braços, deslizando como água por meu corpo. Minhas veias estão geladas, minha pele está azulada, a cor que prenuncia a morte.
As paredes não têm reboco. Isso é a primeira coisa que você percebe quando chega. É tudo de pedra, tudo gelado. Então você percebe a segunda coisa: o frio é ruim. Chegam as noites, voltam os dias, e você só pensa no frio.
Aí tem a hora em quê você percebe duas coisas, ao mesmo tempo: tudo é muito silencioso.

E o silêncio é pior que qualquer coisa.

A tristeza é como uma seringa, que fincam lentamente na sua pele, até que você não agüenta mais a dor, e sente então o líquido suave percorrer suas veias, e a dor passa. Você morreu. A tristeza se foi, você morreu. Sinto vontade de morrer, todos os dias, todas as noites. Sinto vontade de me matar, sinto vontade de morrer, sinto vontade de gritar. Mas ninguém quebra o silêncio. Ninguém se mata. Você definha, isso sim, e morre.
Estou com tanta vontade de definhar.
Não posso, eu sei que não posso. Não posso morrer, nem definhar, nem me enforcar usando minhas roupas sujas. Existe algo que preciso fazer. Com o tempo eles levam os seus sentimentos, mas não suas metas. Não é esperança, eu sei. É dever, eu DEVO sobreviver, e sair fora.
Eles não conseguem evitar isso. Não sugam os objetivos das pessoas. Aqui ninguém tem um objetivo, além de mim. Eles só sonham com a liberdade, e por sonharem é que morrem logo. Eu não vou morrer, ninguém vai tirar esta certeza de mim.
O quê ficam são as lembranças. Só isso que resta. Lembranças ruins, mas que se você tem um objetivo, podem se tornar boas.
Minha mais forte lembrança é sobre uma época de minha vida. Uma época triste, feliz, louca. As vezes, quando durmo, sonho com rostos felizes, com minha vida anterior. As lágrimas terminaram nos primeiros dias, assim como minha voz. Não vou mais gritar que sou inocente, só vou guardar a certeza dentro de mim. Eu vou sair daqui, e fazer o quê tem que ser feito.
Tem um rosto que nunca me escapa da memória. Ele é mais forte e mais doloroso que todos. Um rosto que só de pensar me dá dor no coração. Um rosto de cabelos negros despenteados.
Nunca em minha vida imaginei amar, ser amado. Se bem que aconteceu. Mas nunca percebi que há diversas formas de amar. E descobri que amava, por fim, o rosto de cabelos negros.
Quando as lembranças chegam, gosto de me sentar à janela. E gosto de imaginar tudo o quê aconteceu.
Quase posso ouvir, agora, os insistentes pedidos de Tiago para sair com a Lily, e os gritos dela em resposta. Posso ouvir as explosões e confusões que os Marotos aprontavam, os uivos de Remo na lua cheia. Posso ouvir a voz de Tiago me dizendo “Hoje eu pego aquela ruivinha”, posso ouvir as páginas dos livros de Remo sendo viradas e o som dos biscoitos sendo estraçalhados pelos dentes de Pedro. Ouço minhas próprias risadas, ouço minhas palavras. E o som da canção que aprendi há tanto tempo, ecoando em tom de gozação graças aos meus amigos.Ouço nossas brincadeiras, armações. Ouço os berros de alegria que Tiago deu quando Lily aceitou sair com ele.
Agora só há o silêncio, a escuridão.
Voltou-me, agora, o rosto de cabelos negros despenteados. Queria tocar aquele rosto de novo, e dizer que estou com ele, mesmo depois de tudo. Queria tanto, que sinto até dor física.
Olhar nos olhinhos verdes e dizer que está tudo bem.
Que tudo vai ficar bem, que estamos em paz. Assim como era nos anos mais felizes de minha vida, antes do silêncio.

Anos Marotos.

Trailer

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Todos conhecem a lenda d'O Menino Que Sobreviveu

"À HARRY POTTER! O MENINO QUE SOBREVIVEU!"

Mas poucos sabem sobre as circustâncias que criaram esta Lenda

"Não, o Harry não!"

Muito antes da história do garoto com a cicatriz

"Mil Novecentos e Setenta e Um. Aqui que começa a nossa lenda"

Havia outra lenda

"Isso é real? Ou são os meus olhos?"

De jovens amigos

"Sirius, o cabeludo ali, Remo, o com cara de coitado, Pedro, o que está comendo bolachas, e eu. Tiago Potter."

E jovens amigas

"Lílian. Mas pode me chamar de Lily. Aquela é a Marlenne, e atrás dela é a Alice"

Que se tornaram inesquecíveis

"Podem dizer o quê quiserem, mas nós nunca seremos esquecidos."

Com suas confusões

"Corre, corre, correeeeeeeeeeeeeeeee."

Com seus mistérios

"Lembre-se: isso é segredo absoluto. Se você contar...
- ...espíritos malignos virão puxar o seu pé à noite.
- Isso. Obrigado, Sirius."

E seus segredos mais profundos

"A pergunta é: o quê Tiago Potter, Sirius Black, Remo Lupin estavam fazendo à meia-noite na biblioteca?"

Vieram para transformar Hogwarts

"Esse dia ficou na história.
- Deviam escrever esse momento em 'Hogwarts - Uma História'
- Melhor não. O livro já é grande o suficiente..."

Para sempre

"Dance with me, forever...
Dancing with me, together..."

Mudando a história

"Ele não morreu solteiro. Teve filhos. Descendentes. Que vivem até hoje, em segredo."

Mudando a magia

"Esqueça as varinhas, isso aqui é magia pura. Esse pauzinho vai virar carvão."

Mudando corações

"Eu te amo, e nunca tive tanta alegria em dizer algo assim. Eu te amo. Pra sempre"

Mudando uma Guerra

"Vou lhes contar sobre uma situação singular que aconteceu ontem comigo. E acho que interessa totalmente à vocês"

Uma amizade além de qualquer fronteira

"Somos irmãos. Irmãos de verdade. Nunca vamos abandonar um irmão."

Um amor além da vida

"Cuide do Harry. Eu vou enfrentá-lo.
- Não! Não! Você vai morrer! Venha comigo! Eu não quero...
- Eu te amo, Foguinho. Pra sempre.
- Eu também te amo... Pra sempre.
- Então vá. Eu vou me encontrar com você, em breve.
- Promete?
- Prometo."

Antes da lenda...

"Tiago. Lílian. Algo está acontencendo. Algo ruim. Pode ter certeza."

Os Marotos

"Aluado, Rabicho, Almofadinhas e Pontas.
- Ei, porquê meu nome está por último?
- Está ordem alfabética.
- Está em ordem de masculinidade."

As garotas

"Lily, Lily. Quem te viu, quem te vê...
- Pro inferno vocês duas!"

Os anos...

"Sete anos aqui podem transformar qualquer um. O importante é, simplesmente, que essa transformação seja boa. Lembrem-se, vocês que começam hoje esta jornada, vocês que a estão terminando e vocês que já estão nela: a Luz é o caminho mais difícil, mas também é o mais recompensador. Não importa a sua Casa, suas origens, suas cores, seu time de Quadribol. O quê importa são suas escolhas. E estamos aqui, como um gigantesco lar, para que estas escolham sejam as corretas. Eu, como Diretor da nobre Instituição que é Hogwarts, espero do fundo do meu coração, que vocês cheguem ao fim destes sete anos, e ao fim de suas vidas, com a certeza que escolheram o caminho certo."

Anos Marotos